Resta pouco a Bolsonaro, escreve Thales Guaracy….

Todas as opções que o presidente tinha em mente são inviáveis
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Na semana passada, o presidente Jair Bolsonaro colheu más notícias galopantes das pesquisas eleitorais. De acordo com o mais recente levantamento do Datafolha, 59% dos eleitores dizem que não votarão em Bolsonaro de jeito algum. O índice de rejeição do ex-presidente Lula foi de 38%. Numa disputa entre ambos no 2º turno, Lula ganharia com 56% dos votos, contra 31% do atual presidente.

Claro que ainda há tempo, mas a pior notícia é que o presidente não segue bom rumo para reverter essa situação.

Na semana passada, o presidente esmerou-se em trabalhar contra ele mesmo. Uma Medida Provisória aumentou impostos sobre operações financeiras, o que se torna, no fim das contas, como todo aumento de impostos, uma fonte de inflação e recessão. E o aumento abrupto do preço dos combustíveis, dos alimentos e de todo o resto já alarma a sociedade de A a Z.

O aumento de impostos é para pagar a conta extra do Auxílio Brasil, o velho Bolsa Família, que ele quer turbinar com fins eleitoreiros. Também sugere um tiro pela culatra, já que Bolsonaro ganhou a eleição prometendo acabar com tudo o que o PT havia feito e, na prática, está ampliando os programas sociais que celebrizaram o seu potencial concorrente.

Para fazer o mesmo que Lula, aqueles que gostam de Lula preferem Lula. E, para os que não gostam de Lula, soa indigesto Bolsonaro seguir na mesma direção, sem outras ideias melhores.

O remédio liberal da gestão bolsonarista foi dissolvido no estômago do populismo, agora no seu estágio de desespero pré-eleitoral. Não parece haver reação econômica nesta gestão, além do socorro do governo aos desesperançados, que continuam pobres, assim como os desempregados seguem desempregados.

A classe média urbana, que cansou de pagar a conta dos programas assistenciais do lulismo, sem ver retorno do dinheiro dos impostos para si mesma nem uma solução definitiva para os pobres, não anda nem um pouco satisfeita. Aquela gordura de apoio que Bolsonaro ganhou no 2º turno –o eleitor que votou nele só para afastar o lulismo– está sendo queimada rapidamente.

A solução para Bolsonaro seria terminar bem o governo, mas já parece um pouco tarde para isso. Parece tarde, também, para a alternativa que resta, a do golpe.

Mesmo no comando da máquina pública, Bolsonaro precisaria de pelo menos 3 coisas para acabar com a democracia no Brasil e não ter que enfrentar a dura realidade da eleição –nem a enxurrada de investigações que deve se seguir.

 

Uma, é o apoio militar, claramente esvaziado até mesmo no 7 de Setembro, quando nem houve a parada militar, sob o pretexto da pandemia.

Outro pilar para um golpe seria uma base sólida na elite conservadora empresarial. Essa, principalmente o setor produtivo, tem a economia como prioridade e a economia vai mal. Ponto.

A 3ª condição para o golpe é, também, um certo nível de apoio popular. E esse vem caindo, mesmo nos extratos nos quais o presidente aposta, como o dos evangélicos.

Tratando de desagradar a todos sempre que possível, na sua política de instalar a desordem, o presidente não tem os pilares para sustentar seu governo, muito menos um golpe.

Em Brasília, fala-se de Bolsonaro agora com condescendência. E certa preocupação, porque, no tempo que lhe resta, ele ainda pode provocar muito distúrbio.

Semana passada, viu-se o dedo dele na decisão do Ministério da Saúde de mandar suspender a vacinação dos adolescentes contra a covid-19. Quem tem filho, claro, não gostou.

Onde mete o dedo, Bolsonaro faz inimigos. E queima aliados, alguns deles já na cadeia, como o ex-deputado federal Roberto Jefferson.

Conseguiu, no final, a proeza de restaurar a força de Lula, com uma ajuda dos seus arqui-inimigos do Judiciário, que trancafiaram o ex-presidente para depois soltá-lo.

Nem nisso, Bolsonaro ganha de Lula: como suposta vítima da Justiça, ou do “sistema”, ele é a menor.

Fonte: Poder360

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