Por Abraão de Sousa – Alerta Buritis | DRT-2022/RO – É permitida a reprodução parcial ou total da matéria, desde que citada a fonte. Lei nº 9610/98
O que antes era resolvido na base do confronto direto por pontos de venda de entorpecentes ganhou uma nova e perigosa frente de batalha: a fibra óptica. O avanço do crime organizado sobre o setor de telecomunicações no Brasil deixou de ser uma ameaça velada para se tornar uma crise de segurança pública. Incêndios criminosos, destruição de infraestrutura e extorsão armada contra provedores de internet estão redesenhando o mapa do domínio territorial em estados como Rio de Janeiro, Ceará, Pará e, de forma cada vez mais alarmante, em Rondônia.
A lógica por trás dos ataques é puramente financeira. Ao incendiar sedes de empresas legítimas e destruir frotas de veículos, as facções buscam o monopólio absoluto. O objetivo é expulsar a concorrência legalizada para impor serviços de internet clandestinos muitas vezes operados com equipamentos roubados ou exigir o pagamento de “pedágios” exorbitantes para que pequenos empresários possam manter seus cabos nos postes de determinadas comunidades.
Em Rondônia, o cenário preocupa as autoridades e o setor privado. Há relatos crescentes de tentativas de avanço desses grupos criminosos tanto na capital, Porto Velho, quanto em cidades do interior. A tática de intimidação segue um padrão rigoroso: primeiro o corte de cabos, seguido de ameaças diretas aos técnicos e, em casos de resistência, o uso do fogo como represália final.
Apesar do cenário desafiador, as forças de segurança têm intensificado o cerco contra essas organizações. Em Rondônia, a atuação das polícias Civil e Militar tem sido fundamental para frear a expansão do domínio criminoso sobre o setor. Através de investigações de inteligência e patrulhamento preventivo, as autoridades têm conseguido desarticular tentativas de ataques antes mesmo da execução, evitando prejuízos ainda maiores para as empresas e garantindo a continuidade do serviço para o cidadão.
Enquanto o crime tenta se infiltrar na rede, o empenho das polícias de Rondônia e dos demais estados afetados demonstra que o Estado não está inerte, agindo para que o direito constitucional de estar conectado não se torne refém do crime organizado.



