Pesquisa da USP em Rondônia revela crianças e adolescentes com colesterol alto, obesidade e sedentarismo

Estudos trazem números preocupantes envolvendo estudantes de 06 a 16 anos de idade de Monte Negro. Foto: Ilustrativa / crianças jogando vídeo game.
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PORTO VELHO – O ICB5, núcleo permanente da Universidade de São Paulo (USP) em Monte Negro (Rondônia), realizou mais um estudo importante no município que fica a cerca de 250 quilômetros de Porto Velho: 496 crianças (de um total de 1.431 alunos de Monte Negro), de 06 a 16 anos, tiveram dados coletados pelos pesquisadores, além de serem realizados diversos exames laboratoriais entre agosto e novembro de 2016.

Os resultados não foram nada animadores: dos quase 500 estudantes estudados, 11,8% estavam obesas, 6,7% com hipertensão (pressão alta) e 25,4% com colesterol alto. A pesquisa foi publicada em março deste ano na revista científica Journal of Human Growth and Development clique aqui e veja essa publicação

“Tivemos altos índices de obesidade e sedentarismo, com muitas crianças usando muito tempo de “telas”, que são os games, celulares ou tablets. Estamos estudando para ver como isso vai impactar na saúde pública de Monte Negro no futuro. Temos estudos similares com ribeirinhos do Amazonas e uma pesquisa com idosos acima de 60 anos daqui, que foi publicado nos Estados Unidos”, disse o professor doutor, cientista e médico Luís Marcelo Aranha Camargo, responsável pelo Instituto de Ciências Biomédicas (ICB5), da Universidade de São Paulo (USP), em Monte Negro.

O estudo com crianças e adolescentes foi idealizado após duas pesquisas anteriores, realizadas entre 2014 e 2015 também em Monte Negro, onde foram apresentadas altas incidências de Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT) em idosos. Dessa forma, os autores avaliaram que crianças/adolescentes já apresentavam DCNT e/ou fatores de risco para justificar prevalências tão elevadas em idosos.

“Esses levantamentos mostraram altíssimas prevalências das doenças crônicas em pessoas acima de 60 anos. Por exemplo: 70% têm pressão alta, mas só 60% são tratados. Desses, 24% têm diabetes. Gordura no sangue alterada, que chamamos de dislipidemia, 65% têm, só 12% é tratado. Disfunção renal, que é quando o rim não filtra mais direito, mais de 50% têm”, detalhou Luís Marcelo Aranha Camargo.

A pesquisa concluiu no resultado publicado recentemente que “crianças/adolescentes já apresentam DCNT e estão expostos aos seus fatores de risco, fato que justifica a elevada prevalência de DCNT em idosos. Tais resultados apontam para a fragilidade do sistema público de saúde local, incapaz de lidar com este problema”.

“Morre-se mais em Monte Negro e nos pequenos municípios da Amazônia mais por doença crônica não transmissível do que por doença transmissível. Muita gente tem ideia que se morre mais de malária ou hepatite, mas não é nada disso. Esse índice é de apenas 1%. A ideia é a gente trabalhar na prevenção, na melhoria da qualidade de vida pra evitar as sequelas dessas doenças, como derrame, o infarto, a cegueira e a disfunção renal”, falou o representante da USP.

E o primeiro cuidado começa pela alimentação, segundo o pesquisador Luís Marcelo Aranha Camargo. “Tem que ter muita disciplina com o que comem, redução de refrigerantes, mais tempo fazendo atividades físicas e menos tempo de “Telas”, como televisão, celulares, tablets e games. Antes, as crianças empinavam pipas (papagaios) e jogavam bola na rua. Hoje fica mais tempo confinada e acaba engordando. A obesidade hoje é considerada uma doença”.

Participaram também da pesquisa com crianças e adolescentes em Monte Negro: Juliana de Souza Almeida Aranha Camargo, Tallita Beatriz de Oliveira Zamarchia, Antônio Alcirley da Silva Balieiro e Felipe Arley Costa Pessoa.

Texto: Felipe Corona
Editor assistente: Emerson Motta
Editor chefe: Eduard Motta

Fonte:Jornal Rondoniavip

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