‘Estamos entrando em colapso’, diz secretário de Saúde de SC; estado tem fila de espera por leitos de UTI Covid-19

Maior taxa de ocupação de leitos de UTI foi atingida na quarta, quando região Oeste também tinha 32 pacientes aguardando por leito ou transferência. Estado publicou decreto com restrições, mas secretário pediu mais medidas a prefeitos.
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O secretário da Saúde de Santa Catarina, André Motta, admitiu que o estado está enfrentando um colapso na saúde por causa do coronavírus. Na quarta-feira (24), os hospitais atingiram a maior taxa de ocupação de leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) geral e Covid do Sistema Único de Saúde (SUS) em toda a pandemia: 91,18%. No início da tarde desta quinta (25), 83 pacientes aguardavam por leitos de UTI, segundo dados internos da Secretaria de Estado da Saúde (SES) que o G1 teve acesso.

estado publicou na noite de quarta um decreto com novas restrições em Santa Catarina validas por 15 dias a partir desta quinta (25). Em mensagem enviada aos prefeitos catarinenses, Motta pediu medidas mais restritivas para diminuir a circulação de pessoas.

“Preciso informar a todos que a situação da pandemia deteriorou no Estado todo e, a exemplo do que acontece nas regiões mais a Oeste, estamos entrando em colapso! Todos os esforços de Estado e municípios, até então, são insuficientes em face à brutalidade da doença. Infelizmente, percebesse fenômeno similar no resto do país, disse Motta.

 

Desde março, ao menos 652,8 mil pessoas tiveram diagnóstico positivo de coronavírus e 7,1 mil desses infectados morreram. Na terça-feira (22), o governo estadual encaminhou pedido de apoio ao Ministério da Saúde por causa da possibilidade de faltar remédios de ‘kit intubação’. Os estoques são insuficientes em muitos hospitais.

Medidas restritivas

 

No comunicado aos prefeitos, além de pedir medidas contra a Covid-19, o secretário estadual solicita esforço na área da saúde.

“Solicito aos gestores municipais que tomem medidas emergenciais para diminuir significativamente a circulação das pessoas, mantendo apenas serviços essenciais e que convoquem toda a força de trabalho da Saúde para o enfrentamento”, pediu o secretário estadual aos gestores municipais.

 

Diferente da solicitação aos municípios, no decreto publicado no Diário Oficial do Estado não há fechamento de serviços não essenciais. Também não há restrição à circulação de pessoas, como ocorreu em outro decreto publicado em dezembro.

Casas noturnas e de espetáculos não podem funcionar e é proibido venda e consumo de bebidas alcoólicas em postos de combustíveis e suas lojas de conveniência entre 0h e 6h em todos os níveis de risco. Bares, restaurantes e shoppings não podem funcionar de madrugada.

O transporte coletivo e rodoviário pode continuar circulando, mas com 50% de ocupação. No entanto, em Joinville, no Norte do estado, houve registro de aglomerações e os usuários enfrentaram dificuldades para conseguir ir sentado no ônibus – veja no vídeo acima.

Fila de espera por UTIs

Pacientes com Covid-19 esperam por vagas em unidades de saúde ao redor do estado. Além dos 83 pacientes apontados nos dados internos da Secretaria, pode haver mais pessoas aguardando pois somente são enviados pedidos de internação de pacientes com condição de transporte para longas distâncias no caso das transferências. Doentes que estão internados em Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) não entram na fila, por exemplo, visto que precisam passar por um hospital para estabilização antes de entrarem na contabilização estadual.

Em ofício enviado ao Governo, o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) pediu que a Secretaria da Saúde informe quantas pessoas esperam por uma UTI e de quais cidades elas são.

Com o gargalo, o governo estuda protocolos para desocupar o mais rápido possível os leitos e aumentar a rotatividade entre os pacientes. Durante audiência pública na Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa (Alesc) na quarta-feira (24), o superintendente de regulação no estado, Ramon Tartari, falou sobre a mudança de protocolos:

“O consumo de leitos é absurdo e os pacientes são graves, de forma que já iniciamos as discussões sobre protocolos e critérios para admitir pacientes em UTI e protocolos de triagem reversa, que é a retirada do paciente de UTI o mais precoce possível para dar maior giro e aceitar pacientes nas UTIs”, explicou.

 

Na região Oeste, que vive um colapso na saúde, a prefeitura de Chapecó informou que 32 pacientes aguardavam por um leito de UTI ou transferência para outros locais no fim da tarde de quarta-feira (24). Outras 50 pessoas precisavam de vagas em leitos clínicos. Até as 14h desta quinta, o dado atualizado não havia sido repassado.

O Hospital Regional do Oeste (HRO), referência no atendimento para tratamento de Covid-19, atende acima da capacidade nesta quinta. Segundo a prefeitura de Chapecó, onde a unidade está localizada, há 62 leitos de UTI Covid-19, mas 92 pacientes estão internados espalhados em outros setores do local.

Em coletiva de imprensa na tarde de quarta-feira (24), o médico Vinicius Chies de Moraes, que coordena o setor de emergência e o da UTI-Covid no Hospital Regional São Paulo, em Xanxerê, afirmou que difícil decisão de escolher quem será intubado já é uma realidade.

“A situação é desesperadora. E não é uma situação que está por acontecer, ela já aconteceu, e está acontecendo. Nós teremos mortes em grande escala”, disse.

 

No hospital, todos os 20 leitos para tratar pacientes estão ocupados, de acordo com a última atualização da unidade. Cerca de 24 pessoas aguardavam por uma vaga na quarta.

Procurado pelo G1 SC, a Secretaria de Estado da Saúde (SES) informou apenas que a regulação está atuando justamente para garantir as transferências necessárias e o pleno atendimento a toda população catarinense. Sobre o número de pessoas que aguardam na fila de espera, a pasta informou apenas que o dado é dinâmico.

Pacientes aguardam internação em UPAs

 

Em Florianópolis, até as 20h de quarta, as UPAs contavam com oito pacientes aguardando por uma transferência para hospitais da região. Nos locais, os doentes são atendidos com cilindros de oxigênio, mas a prefeitura informou que o mais indicado é que eles sejam internados em unidades de saúde.

Em nota, a prefeitura da capital informou que há algumas semanas atrás os cilindros de oxigênio eram carregados em média três vezes por semana. Atualmente, estão sendo gastos 6 a 12 galões de oxigênio por dia.

Apesar do alto consumo, a administração municipal informou não está com falta de entrega desse serviço até o momento. A prefeitura possui contrato em vigor e disse que garante o fornecimento de cilindros. O município, no entanto, pontou que dois casos de nova variante já foram identificados na cidadeAs novas cepas são mais transmissíveis. No total, o estado tem cinco casos confirmados da mutação do vírus.

Fonte: G1

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