Por Abraão de Sousa – Alerta Buritis | DRT-2022/RO – É permitida a reprodução parcial ou total da matéria, desde que citada a fonte. Lei nº 9610/98
Em tempos de hiperconectividade, a mentira viaja com uma velocidade que a apuração rigorosa dificilmente consegue acompanhar.
O episódio mais recente envolve uma narrativa falsa que circulou com força nas redes sociais e aplicativos de mensagem: a suposta decisão da Assembleia Legislativa de perdoar as dívidas da concessionária de energia Energisa. Não houve perdão de dívidas. No entanto, o fato de a informação ser inverídica não impediu que ela ganhasse contornos de verdade absoluta para milhares de cidadãos.
O fenômeno nos obriga a refletir não apenas sobre a origem do boato, mas sobre a nossa própria postura como consumidores de informação. Por que, afinal, somos tão permeáveis a conteúdos sem lastro na realidade?
O gatilho da indignação
A resposta, muitas vezes, reside no viés de confirmação. Quando uma notícia por mais absurda que seja corrobora um sentimento de revolta já existente (como a insatisfação com tarifas de energia ou a desconfiança em relação à classe política), a tendência é que o indivíduo a aceite sem questionar. A mentira, neste caso, serve como um combustível para uma indignação que já estava latente.
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O compartilhamento impulsivo: Ao receber uma mensagem que reforça sua visão de mundo, o usuário sente a urgência de “alertar” o próximo, ignorando o passo fundamental de verificar a fonte.
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A politização do debate: A desinformação tornou-se uma ferramenta de jogo político, onde o objetivo não é informar, mas desgastar adversários e manipular a opinião pública.
A responsabilidade é de todos
Até quando seremos bombardeados por mentiras? A resposta curta e amarga é: enquanto formos cúmplices involuntários desse ciclo. O jornalismo profissional cumpre seu papel ao desmentir o boato, mas a barreira definitiva contra a fake news está no filtro de quem lê.
O episódio da Assembleia Legislativa e da Energisa é um lembrete educativo. Quando o sensacionalismo substitui o fato, o prejuízo não é apenas de uma instituição ou de uma empresa; é de toda a sociedade, que passa a debater problemas reais com base em premissas imaginárias.
O combate à desinformação exige pausa. Exige o exercício de duvidar antes de clicar no botão “encaminhar”. Em um cenário saturado de politicagem e interesses escusos, a verdade é a nossa única defesa, mas ela exige um esforço que a mentira, em sua sedutora conveniência, não demanda.



