Como será a missão do Perseverance, o robô explorador da Nasa que chega a Marte nesta quinta-feira

Equipado com câmeras, microfones, helicóptero e instrumentos para analisar rochas marcianas, Perseverance é o rover mais sofisticado já enviado ao espaço.
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O robô explorador mais sofisticado já enviado ao espaço deve chegar a Marte nesta quinta-feira (18/2), após uma jornada de quase 480 milhões de km, iniciada em julho de 2020.

A missão Perseverance da Nasa, agência espacial americana, pousará na superfície marciana com o auxílio de uma espécie de guindaste aéreo.

Mas antes precisa sobreviver aos chamados “sete minutos de terror”, o período de entrada e descida na atmosfera marciana, quando a temperatura e o risco são máximos.

As missões anteriores constataram que, antes de se tornar um deserto gelado, Marte era quente o suficiente para abrigar oceanos de água líquida.

O antecessor do Perseverance foi o robô Curiosity, que pousou em um local diferente do planeta em 2012 e ainda está em operação.

Ele confirmou que existiram condições de vida em Marte. E o Perseverance vai agora dar o próximo passo e tentar responder uma das grandes questões da astrobiologia: há sinais concretos de vida microbiana passada em Marte?

O Perseverance vai explorar o solo e a atmosfera do planeta vermelho por pelo menos um ano marciano, ou seja, 687 dias terrestres — Foto: Nasa

O Perseverance vai explorar o solo e a atmosfera do planeta vermelho por pelo menos um ano marciano, ou seja, 687 dias terrestres — Foto: Nasa

O robô também coletará amostras de rochas que serão trazidas à Terra no futuro e testará tecnologias pioneiras para uma eventual presença humana no planeta vermelho.

É que o Perseverance, que tem o tamanho de um carro e pesa cerca de uma tonelada, conta com novos instrumentos, cerca de 20 câmeras, um helicóptero e até microfones.

Confira em gráficos e imagens alguns dos destaques da missão.

A descida e os sete minutos de terror

 

A nave que transporta o Perseverance entrará na atmosfera marciana a uma velocidade de 19.500 km por hora. Em sete minutos, essa velocidade precisa chegar a zero.

Todo o processo de descida é automatizado e como há um atraso de mais de 11 minutos nas comunicações com a Terra, o Perseverance estará sozinho — e não poderá ser auxiliado de forma remota se surgir algum problema.

A nave em que o robô está sendo transportado tem uma parte traseira em forma de cone que está selada na parte inferior por um escudo térmico. A temperatura na superfície externa desse escudo pode chegar a cerca de 1.300 °C.

Pouso da missão Perseverance em Marte — Foto: BBC

Pouso da missão Perseverance em Marte — Foto: BBC

A cerca de 11 km da superfície, a espaçonave abrirá um paraquedas de 21,5 metros. Pouco depois, o escudo térmico se separará e cairá, expondo o robô Perseverance pela primeira vez à atmosfera marciana e acionando a nova tecnologia de piloto automático conhecida como Navegação Relativa ao Terreno.

A Perseverance é a primeira missão a usar esse tipo de navegação. À medida que o robô descer no paraquedas, ele vai capturar imagens da superfície de Marte, compará-las com as informações de seu computador e corrigir a trajetória, se necessário.

A temperatura na superfície externa do escudo térmico pode chegar a cerca de 1.300°C — Foto: Nasa

A temperatura na superfície externa do escudo térmico pode chegar a cerca de 1.300°C — Foto: Nasa

O robô descerá suspenso por cabos de náilon do 'guindaste' — Foto: EPA/Nasa/JPL-Caltech

O robô descerá suspenso por cabos de náilon do ‘guindaste’ — Foto: EPA/Nasa/JPL-Caltech

No minuto 5:50 da descida, o escudo térmico será removido e o robô ficará suspenso por uma espécie de guindaste aéreo, uma estrutura com retrofoguetes que o depositará suavemente no solo.

Esta “grua” baixará o robô suspenso por três cabos de náilon.

Assim que as rodas do Perseverance pousarem no solo marciano, os cabos se desprenderão e o “guindaste” cairá em outro lugar para evitar qualquer dano ao robô.

A cratera de Jezero

 

O robô Curiosity pousou na superfície marciana na cratera de Gale. O Perseverance fará isso na cratera de Jezero, com cerca de 45 km de diâmetro e localizada ao norte do equador de Marte.

Os cientistas acreditam que há cerca de 3,5 bilhões de anos, Jezero era um lago alimentado por um rio que depositava sedimentos em um delta. E a Nasa crê que este antigo delta do rio pode ter preservado moléculas orgânicas ou outros sinais de vida microbiana.

O delta em forma de leque de Jezero é um dos principais alvos da missão na busca por sinais de vida passada.

Jezero também conserva um registro de importantes processos geológicos — Foto: BBC

Jezero também conserva um registro de importantes processos geológicos — Foto: BBC

Jezero também conserva um registro de importantes processos geológicos, como o impacto que formou a cratera, a atividade vulcânica e a ação da água.

Estudar suas rochas vai lançar luz sobre como o planeta evoluiu ao longo do tempo.

Pousos passados e planejados em Marte — Foto: BBC

Pousos passados e planejados em Marte — Foto: BBC

Câmeras, microfones e outras tecnologias pioneiras

 

A missão “Mars 2020 Perseverance” está equipada com mais câmeras do que qualquer outra missão interplanetária da história.

Há 19 câmeras no corpo do robô e outras quatro na espaçonave para capturar imagens da entrada na atmosfera, da descida e do pouso. Essas imagens estarão disponíveis no site da missão.

O Perseverance também tem dois microfones, o que permitirá pela primeira vez capturar sons em Marte. Um microfone gravará sons durante a descida, e outro na superfície.

A expectativa é de que o Perseverance explore o solo e a atmosfera do planeta vermelho por pelo menos um ano marciano, o que equivale a cerca de 687 dias terrestres.

O robô explorador Perseverance  — Foto: BBC

O robô explorador Perseverance — Foto: BBC

Para isso, ele conta com instrumentos sofisticados como o PIXL e o Sherlock, que podem escanear o terreno e determinar sua composição química.

Também terá uma estação meteorológica (Meda), desenvolvida por cientistas espanhóis do Centro de Astrobiologia de Madri. O Meda medirá com seus sensores o vento, a poeira, a radiação ultravioleta e outros indicadores do clima em Marte.

Os engenheiros da Nasa reformularam as rodas do rover para serem mais resistentes ao desgaste. As rodas do Curiosity foram danificadas ao andar em rochas afiadas.

Uma das tecnologias mais avançadas do Perseverance é a que permite coletar e armazenar amostras de rochas. O robô tem um mecanismo que perfura e pulveriza a rocha e depois coloca essas amostras em 43 tubos que serão armazenados em seu interior. Em um determinado momento, o Perseverance depositará esses tubos na superfície do planeta para serem recolhidos e trazidos à Terra em uma missão futura, provavelmente a partir de 2031.

A missão Perseverance também testará duas tecnologias que podem ser fundamentais no futuro.

O robô está equipado com o primeiro helicóptero que voará em outro planeta, chamado Ingenuity. Trata-se de um dispositivo que pesa menos de dois quilos, mas tem uma meta ambiciosa: provar que é possível operar e erguer um helicóptero nas difíceis condições de Marte.

A atmosfera marciana tem menos de 1% da densidade da atmosfera terrestre, por isso o Ingenuity é leve e tem hélices maiores e que giram mais rápido do que seria necessário na Terra.

Outro desafio para o Ingenuity é o frio na cratera de Jezero, onde a temperatura cai para -90 °C à noite.

A segunda tecnologia experimental que a Nasa pretende testar é a do instrumento Moxie, que produzirá oxigênio a partir de CO2 da atmosfera de Marte. Gerar oxigênio na própria superfície do planeta vermelho seria essencial para uma futura presença humana.

No longo prazo, a meta é um dia conseguir levar astronautas a Marte. Para Thomas Zurbuchen, administrador associado do Diretório de Missões da Nasa, os humanos seguirão os robôs em algum momento.

“Temos muitos robôs na Terra e imagens aéreas com aeronaves autônomas. Mas para realmente entender o contexto geológico de uma amostra do Himalaia ou dos Alpes ou onde quer que seja, você deve ir lá com humanos”, disse Zurbuchen à BBC.

“Queremos fazer o mesmo em Marte.”

FONTE: G1 

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