Buritis: Obra da RO-460 segue a ‘passos de tartaruga’ e moradores pedem socorro – FOTOS E VÍDEO

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Não é novidade que a RO 460 traz dor de cabeça para motoristas e moradores de suas margens. Situação que continua mesmo com o início das obras de recuperação da rodovia, isso porque as obras estão novamente paradas.

Segundo moradores, há aproximadamente 30 dias não há nenhuma máquina, nem servidor do Departamento Estadual de Estradas de Rodagem e Transportes de Rondônia (DER/RO) trabalhando na obra de pavimentação.

A equipe do site Alerta Buritis esteve visitando algumas propriedades localizadas a aproximadamente 20 km de Buritis, onde a paralização da obra tem trago prejuízos a saúde e ao bolso do produtor rural.

“Já faz 4 anos que ‘nois’ vem sofrendo aqui na poeira porque tinha uns buracos em frente a minha casa aqui, muitos lugar, muitos morador tinha, muitos buraco, dava de fazer um tampa buraco neh e dava pra aguentar mais um tempo”, contou Aildo da Costa, produtor rural que trabalha com cultivo de alface em Hidroponia, “Ai o que eles fizeram? Vieram com as máquinas, arrancaram o asfalto e ficou sem asfalto. Tem muitos pedaço aqui de 1 km, meio quilometro, 800 metros tudo arrancado. Isso já faz 4 anos atrás e até hoje não apareceu ninguém pra tomar uma providência”.

“Daí o que tá acontecendo? Vieram agora com esse negócio do Tchau Poeira aí, pra acabar de ajudar, aí acabaram de arrancar o resto do asfalto, jogaram mais cascalho em cima e não tão molhando. Muitas vezes o caminhão fica 15 dias sem vir… Se filmar hoje na beira da estrada, hoje eles conseguiram molhar, porque o caminhão vive mais quebrado do que trabalhando. E quando acontece deles vir trabalhar o que que acontece, eles tem que ir lá no Buriti pra pegar agua, 20km, 30 km longe donde eles tem que molhar”, continuou Aildo, “Com um caminhão só, até eles ir e voltar, onde eles já molhou já tá poeira pura”.

Com a falta de irrigação e o constante movimento de veículos, a poeira é deslocada pelos ventos e se espalha pelas margens da rodovia, grudando em tudo que vê pela frente, árvores, capim, casas e no teto da estufa hidropônica da família de Aildo, que fornece alface hidropônico para diversos estabelecimentos comerciais do Município.

A poeira que fica acumulada no teto da estufa impede que a luz do sol chegue até os pés de alface que deixam de absorver nutrientes necessários para crescer, gerando um prejuízo de cerca de 30% nas ultimas colheitas realizadas pelo produtor.

“Essa semana mesmo ‘nois’ lavou a lona [da estufa] todinha pra passar sol… Aí nois lava cedo e quando é de tarde já tá cheio de poeira. O alface está estiolando, não tá crescendo… Eles não dá volume. Ai eu tenho que botar mais quantidade na sacola pra entregar pro mercado e no final eu entrego um produto mais ruim pro consumidor. E eu tenho muita perda, de 100 pé eu tenho uma perca de mais ou menos 30%, o meu lucro, tá saindo tudo na perda”.

A obra da RO 460 foi iniciada em Maio de 2021, época em que o Governador Coronel Marcos Rocha esteve no município acompanhado do Diretor Geral do DER, Elias Rezende, e garantiu que o período máximo para conclusão dos 60 km de asfalto (54km rurais e 6km urbanos) era de 18 meses, “o prazo máximo é de 18 meses, mas vamos trabalhar para encurtar esse prazo e entregar o quanto antes essa obra a população dessa região” disse Rocha.

Já em junho de 2021, mais de um ano após o início da obra, o Governador de Rondônia, Coronel Marcos Rocha, esteve novamente em Buritis e foi questionado pelo jornalista Edson Nascimento sobre as obras da rodovia. Durante entrevista, o Governador reafirmou que reafirmou que a obra seria entregue até o final de dezembro de 2022: “… A gente vai fazer essa obra até dezembro, que foi minha palavra, isso tá gravado inclusive. Eu falei que seria até dezembro…”

Mas hoje, a apenas 4 meses para o término do prazo, o que se vê é um cenário nada propicio para o cumprimento da promessa. Dos 54 km de rodovia, foram concluídos pouco mais de 15km aproximadamente, sendo cerca de 13km de Buritis até a ponte do Rio Candeias e um pouco mais de 2km começando no Distrito Vila União sentido a Buritis.

A gente “espera que eles concluam a obras porque iniciaram e acredito que tinha dinheiro suficiente pra isso. Tinha o asfalto aqui, eles retiraram e deixaram assim, isso aqui tem mais de meses que esta dessa forma. O maquinário eles retiraram daqui, só iniciaram o asfalto na Vila União lá e eles pararam o asfalto e deixou dessa forma aqui. Sumiram com todos os maquinários e foram todo mundo embora”, disse Vanessa Oliveira, produtora rural que mora no trecho.

Problemas de Saúde

A convivência com a poeira também tem trago diversos problemas de saúde aos sitiantes. Os mais comuns são problemas respiratórios.

Segundo moradores mesmo quando acontece a irrigação do local a poeira retorna, pois a agua evapora rapidamente devido ao sol quente somado com a demora para encher novamente o caminhão.

“Hoje (dia 4) eles molharam, mas na maioria dos dias eles não molham. Daqui a meia hora já ta poeira novamente”, desabafou Vanessa, “Não apenas crianças mas a saúde de todo mundo está ficando difícil ne pois a noite é muita poeira aqui. Então é a respiração das crianças, é uma tosse que não para”.

“A gente tá sofrendo muito com essa poeira”, disse Dona Elizabete Ana, “É todo mundo com alergia. Tem as criancinhas ali que estão sofrendo muito, vão pra escola e tem que ficar aqui esperando ônibus. Que situação que chega na escola? Minha filha vai pra faculdade, fica esperando aqui o ônibus, ela toma um banho de terra todo dia”.

“Você quer ver poeira mesmo, vem aqui umas 6 horas da tarde aqui”, disse indignado o Produtor Rural Claudinei, “Se eles não desse conta de mexer não quebrasse o asfalto, deixasse o resto do asfalto que tinha. Vieram aqui, bagunçaram o trem e sumiram, o pessoal abandonaram aqui, ‘nois ta’ abandonado aqui e a poeira aqui ta matando”.

“O que tava ruim acabou piorando”, desabafou Claudinei.

Segurança

Além dos prejuízos materiais, a poeira da RO 460 ainda oferece riscos à segurança dos usuários da via, principalmente motociclistas e pedestres. Isso porque a quantidade de pó acumulada é tão grande que quando um veículo de grande porte passa pelos trechos de terra acabam levantando uma nuvem de poeira tão espessa que impede a visibilidade dos motoristas.

Um motociclista acostumado a trafegar pela rodovia contou a nossa equipe que houve ocasiões onde foi preciso encostar a margem da rodovia pois “não dava de ver 2 metros de estrada”.

“Passa um caminhão e a poeira sobe, a noite mesmo é um perigo você transitar aqui”, disse Aildo, “Depois das seis horas [da noite] a poeira é tanta que passa um caminhão e você não enxerga 10 metros na frente, não vê nada. Risco de acontecer um acidente ou passar uma criança que estiver andando na beira da estrada e o cara vir e atropelar, porque não vê”.

“Eu já ouvi vários casos de pessoas que vem de Buritis de moto, igual a minha cunhada que trabalha na rua e quando passa um caminhão eles não tem visibilidade. Então estão correndo risco de vida essas pessoas”, disse Vanessa, “Eu já vi pessoas ali na Vila [união] que eles estavam vindo e um carro quase atropelou ela”.

Ministério Público

Um grupo de moradores das proximidades do Km 34 da RO 460 se uniram e procuraram o Ministério Público de Buritis no início de agosto para realizar uma denúncia em busca de solução.

No MP eles foram informados que já há um processo em tramitação pela mesma causa mas que as fotos, vídeos e depoimentos dos mesmos seriam adicionados como prova.

Fonte: Alerta Buritis – Texto: Thiago Laurencio

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