Brasil chega a 200 mil mortes por Covid-19 sem vacina e sob risco de repetir piores momentos da pandemia

No 2º semestre do ano passado, o país chegou a registrar queda na média móvel das mortes pela doença. Cidades e estados flexibilizaram restrições à circulação, e hospitais de campanha foram desmontados. Mas no final do ano os números voltaram aos patamares de setembro e preocupam especialistas.
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Cemitérios de Manaus em diferentes momentos de alta nas mortes por Covid-19 — Foto: Edmar Barros_AFP; Bruno Kelly/Reuters

Em um momento crítico da pandemia e ainda sem vacinação, o Brasil passou a marca de 200 mil mortes por Covid-19 nesta quinta-feira (7), segundo levantamento do consórcio de veículos de imprensa, a partir de dados das secretarias estaduais de Saúde, em um boletim extra. O total de óbitos registrados é de 200.011, com 7.921.803 casos confirmados.

A primeira morte pela doença no país aconteceu em fevereiro do ano passado. Nos meses seguintes, o número de óbitos subiu gradativamente, até que em junho foi atingido um estágio de platô com cerca de 1 mil mortes diárias.

Em novembro, as mortes voltaram a aumentar e, desde o início deste ano, o Amazonas voltou a reviver momentos difíceis da pandemia, com hospitais e cemitérios lotados. Nos últimos dias, Manaus atingiu recorde de novas internações que superaram números vistos em abril e maio, quando houve colapsos no sistema público de saúde e funerário.

Nesta quarta (6), Manaus registrou 110 enterros nos cemitérios, número que se aproxima do recorde registrado em 26 de abril do ano passado, quando houve 140 sepultamentos.

Na Grande São Paulo e no Rio de Janeiro, prefeituras fazem contratações emergenciais de leitos de UTI em hospitais particulares.

Casal de Sorocaba morreu por Covid-19 — Foto: Arquivo pessoal

Casal de Sorocaba morreu por Covid-19 — Foto: Arquivo pessoal

A pandemia devastou famílias como a do médico Aristides Camargo, 79 anos, e da ex-professora Maria Inês Santos Camargo, 67. O casal de Sorocaba (SP) morreu com três dias de diferença depois de sentir, às vésperas do Natal, os primeiros sintomas de Covid-19.

“A pandemia foi a época que eles viveram mais juntos, muito juntos, um para o outro. Ele sempre trabalhou muito, e ela chegou a comentar comigo que estava curtindo muito ficar com ele direto”, disse Ana Laura Camargo Marques, filha do casal.

À espera da vacinação

 

Mapa mostra países que começaram a vacinação contra Covid-19 — Foto: Arte/GloboNews

Mapa mostra países que começaram a vacinação contra Covid-19 — Foto: Arte/GloboNews

Mais de 40 países já começaram a aplicar vacinas contra a Covid-19. O Reino Unido foi o primeiro país a usar a vacina da Pfizer/BioNTech, seguido de Estados Unidos, Canadá, Arábia Saudita, Israel e os 27 países da União Europeia. Os EUA também estão aplicando a vacina da Moderna. Outros países começaram a usar a Sputnik V e as vacinas da Sinovac e Sinopharm. Em todo o mundo, mais de 15 milhões de doses já foram aplicadas.

Entre os países com maior percentual da população vacinada estão Israel, com 15%, e Emirados Árabes Unidos, com quase 8%.

CoronaVac, vacina que está em desenvolvimento pelo Instituto Butantan — Foto: JN

CoronaVac, vacina que está em desenvolvimento pelo Instituto Butantan — Foto: JN

No Brasil, o Instituto Butantan pediu à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorização para uso emergencial da CoronaVac, a vacina produzida em parceria com o laboratório Sinovac. Mesmo sem ter recebido o aval, o governo de São Paulo prometeu começar a imunização a partir de 25 de janeiro. A taxa de eficácia da vacina foi divulgada nesta quinta-feira (7): é de 78%, sendo 100% para casos moderados e graves.

O Ministério da Saúde anunciou nesta quinta contrato para compra de 100 milhões de doses de vacina do Instituto Butantan. Toda a produção do instituto será incorporada ao Plano Nacional de Imunização, para distribuição em todo o país.

“Cobramos uma data e não nos foi fornecida. Quando chegam os insumos? Quando começa a vacinação? O secretário disse que iria levar nossa demanda ao ministro Pazuello”, disse governador do Piauí, Wellington Dias, após reunião com o secretário de vigilância do Ministério da Saúde, Arnaldo Medeiros, na última terça-feira (5).

Em janeiro, devem chegar ao Brasil 2 milhões de doses da AstraZeneca/Oxford produzidas na Índia. Esse imunizante foi testado em voluntários brasileiros e deve ser produzido pela Fiocruz. A importação, por R$ 59,4 milhões, foi autorizada pela Anvisa, mas ainda não há liberação para uso pela população. Quando começar a imunização, os primeiros a tomar as doses devem ser os profissionais de saúde.

Coronavírus: perguntas mais comuns sobre as vacinas contra Covid-19
Coronavírus: perguntas mais comuns sobre as vacinas contra Covid-19

Na semana passada, fracassou uma licitação do Ministério da Saúde para compra de seringas e agulhas para vacinação. O pregão previa a compra de 331 milhões de seringas, mas as empresas que participaram garantiram entrega de apenas 7,9 milhões. As empresas reclamaram que o edital encomendava seringas e agulhas como um só produto, e que os preços estavam abaixo dos praticados.

Nesta quarta, o presidente Jair Bolsonaro acusou fabricantes de terem aumentado os preços e, por esse motivo, o governo federal suspendeu a compra do material. O epidemiologista Paulo Lotufo, em entrevista à GloboNews na manhã desta quarta, reforçou que se a compra tivesse sido feita com antecedência, o governo pagaria mais barato.

Nova variante do vírus

Em meio ao aumento de casos e mortes, nesta semana o Instituto Adolfo Lutz, referência em São Paulo, confirmou dois casos de uma nova variante do coronavírus no Brasil. Ela surgiu no Reino Unido, onde já representa mais de 50% dos novos casos diagnosticados, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS).

Por enquanto, não há comprovação de que o vírus esteja mais forte ou cause uma versão mais grave da Covid-19. Mas um estudo médico divulgado no final de dezembro aponta que a nova versão é entre 50% a 74% mais contagiosa.

Por enquanto, de acordo com a OMS, ainda não há informação suficiente para determinar se a nova variante afetará a eficácia das vacinas, afirmando que pesquisas estão em andamento.

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