A mãe de todos os dérbis. A história do clássico alemão que reabre o futebol da Europa no vale do Ruhr

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O Schalke era o time mais técnico e brilhante da década de 1920 e 1930. Era bola de pé em pé, até invadir a área e fuzilar o goleiro adversário. Foi assim quando venceu o Borussia Dortmund em 1925, por 4 x 2, no marco da grande rivalidade.

A distância entre as cidades de Gelsenkirchen e Dortmund é de apenas trinta quilômetros, o que explica o ódio eterno. A mãe de todos os dérbis pode até ser tecnicamente uma definição equivocada, porque a palavra dérbi se usa para jogos entre equipes da mesma cidade.Mas são praticamente do mesmo lugar.

Nunca do mesmo sangue.

Atribui-se o estilo refinado do Schalke do início do século 20 à contratação do técnico austríaco, Gustav Wieser, numa época em que a Áustria começava a estruturar uma seleção brilhante, conhecida como o Time Maravilha (Wonderteam). Era a equipe do centroavante Mathias Sindelar, construída por Hugo Meisl, quarta colocada na Copa do Mundo de 1934.

Pois nesses anos 1930, o Schalke conquistou os troféus de 1934, 1935, 1937 e 1939. Seguiu vencendo durante a Segunda Guerra Mundial e levantou os troféus de 1940 e 1942. Depois da paralisação do campeonato, em 1944, por causa da guerra, Schalke e Borussia tiveram uma final, em 1947. Não havia campeonato nacional, mas torneios regionais serviriam de plano intermediário para a volta do Nacional no ano seguinte.

Pois assim, o Schalke classificou-se para a decisão da Westphalia como campeão da Liga 1 e o Borussia Dortmund veio da Liga 2. Faltando cinco minutos para o fim do jogo, August Lenz passou pelo zagueiro Sandmann e fuzilo: 3 x 2 para o Dortmund. Lenz terminava assim com 21 anos de domínio do Schalke no vale do Ruhr, o rio que corta a North-Westphalia e deságua no rio Reno perto de Duisburg.

Oliver Kirch, Borussia Dortmund x Schalke 04 — Foto: AP
Oliver Kirch, Borussia Dortmund x Schalke 04 — Foto: AP

Região industrial, de minas de carvão e produção de aço. Lugar de trabalhadores que dão duro durante a semana e então divertem-se nos domingos com o futebol. Depois da guerra, o Schalke conquistou seu próximo título em 1958 e nunca mais foi capaz de levantar um troféu nacional. A Bundesliga foi fundada em 1963, quando o Dortmund já havia iniciado sua coleção de taças.

Ganhou em 1956, 1957 e 1963, venceu a Recopa da Europa em 1966 e encheu de inveja os rivais azuis. Mas o Borussia Dortmund só voltou a ser vencedor na década de 1990, depois de perder o troféu no último dia da Bundesliga de 1992 para o Stuttgart. Em 1995, sob o comando de Ottmar Hitzfeld, construiu um timaço: Klos, Sammer, Kree e Kohler; Reuter, Paulo Sousa, Lambert e Reinrich; Andy Moller; Chapuisat e Riedle.

Este time levantou a Champions League em 1997, vencendo a Juventus por 3 x 1 no estádio Olímpico de Munique. Nos dois anos anteriores, 1995 e 1996, sagrou-se bicampeão alemão. Voltaria a ganhar em 2002, com Amoroso artilheiro e Ewerthon, ex-Corinthians, autor do gol do título.

Um ano antes, o Schalke perdeu a chance no minuto 94. Enquanto vencia o Unterhaching por 5 x 3, o Bayern marcava aos 49 do segundo tempo com o sueco Patrick Andersson e empatava com o Hamburgo por 1 x 1, fora de casa. Bayern campeão.

O Borussia Dortmund quase faliu no fim da década de 2010 e recuperou-se com os títulos da era Jurgen Klopp. Bicampeão alemão em 2011 e 2012, vice-campeão da Champions League em 2013, depois de eliminar o Real Madrid dentro do Santiago Bernabéu — meteu 4 x 1, com quatro gols de Lewandowski, no Signal Iduna Park.

Nos últimos dez clássicos, houve três vitórias do Borussia Dortmund, duas do Schalke e cinco empates, 17 gols dos aurinegros e 16 dos azuis reais. A marca do clássico é o equilíbrio, a imprevisibilidade. O clássico de hoje é até mais imprevisível do que saber se o retorno da Bundesliga ajudará mesmo o esporte a começar a sair de casa.

FONTE: GLOBO ESPORTE

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