‘A gente só escutou o barulho da flecha no peito dele’, diz testemunha sobre morte de coordenador da Funai

Caso aconteceu na quarta-feira (9) em Seringueiras, Rondônia. Rieli Franciscato era uma das grandes referências nos trabalhos de proteção aos indígenas isolados da Amazônia.
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Um policial amigo de Rieli Franciscato, sertanista que morreu após levar uma flechada de indígenas isolados em Rondônia, na quarta-feira (9), narrou os momentos que antecederam a morte do coordenador da Frente de Proteção Etnoambiental Uru-Eu-Wau-Wau da Fundação Nacional do Índio (Funai).

Segundo ele, os indígenas não contactados apareceram na linha 6 em Seringueiras. Ele e outra colega da corporação estavam de plantão e registraram a ocorrência de averiguação.

“O Rieli chegou aqui, pediu apoio pro sargento, se a gente poderia ir com ele lá, porque lá é uma área de conflito. O pessoal da linha 6 lá é bem problemático. O sargento liberou a gente pra ir, a gente foi. Quando a gente chegou lá no final do monteiro, que é onde eles apareceram, ele entrou em contato com a senhora dona da terra e perguntou se podia dar uma olhada por onde eles tinham vindo”.

Os policiais e Rieli adentraram a região seguindo as pegadas dos indígenas. Quando chegaram na divisa, segundo o relato, viram a placa da reserva da Funai com aviso de entrada proibida. Então Rieli começou a subir um morro.

“A soldado Luciana estava atrás dele e eu um pouquinho atrás dela. A gente só escutou o barulho da flecha que pegou no peito dele aí ele deu um grito, arrancou a flecha e voltou pra trás correndo. Ele conseguiu correr de 50 a 60 metros e já caiu praticamente morto . A gente ainda carregou ele um pedaço ainda. Conseguimos deslocar ele na viatura na estrada, viemos trazer ele no hospital, mas ele já chegou sem vida. Nosso amigo se foi, infelizmente”.

Rieli Franciscato, de 56 anos, morreu na quarta-feira (9) após ser atingido no tórax por uma flecha disparada por indígenas isolados em Rondônia.

Ele era uma das grandes referências nos trabalhos de proteção aos indígenas isolados da Amazônia. O coordenador defendia o não contato com o grupo e atuava para evitar um conflito com a população local. Também fez parte da equipe que demarcou a primeira terra exclusiva para indígenas isolados.

A Fundação Nacional do Índio (Funai), declarou imenso pesar ao falecimento e informou que que acompanha o caso.

“Rieli dedicou a vida à causa indígena. Com mais de três décadas de serviços prestados na área, deixa um imenso legado para a política de proteção desses povos”, comunicou por nota o coordenador-geral de Índios Isolados e de Recente Contato da Funai, Ricardo Lopes Dias.

FONTE: G1

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