EDITORIAL: Você sabe com quem seu filho conversa na internet?

O acesso à internet exige mais do que tecnologia: exige acompanhamento, diálogo e responsabilidade dos pais
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Imagem meramente ilustrativa!

Por Abraão de Sousa – Alerta Buritis | DRT-2022/RO É permitida a reprodução parcial ou total da matéria, desde que citada a fonte. Lei nº 9.610/98.

Quem está do outro lado da tela do seu filho?

Essa é uma pergunta que pais e responsáveis precisam fazer antes de entregar um celular, tablet ou permitir acesso livre à internet.

Hoje, crianças e adolescentes estão cada vez mais conectados. Jogos online, redes sociais, aplicativos de mensagens e plataformas de vídeo fazem parte da rotina. O problema é que, enquanto os filhos aprendem rapidamente a utilizar essas ferramentas, muitos pais ainda desconhecem os riscos que existem dentro delas.

O perigo nem sempre aparece de forma evidente. Um criminoso pode começar com uma simples conversa durante um jogo, conquistar a confiança da criança e, aos poucos, levar o contato para outras plataformas. Pode fingir ser outra pessoa, pedir fotos, informações pessoais ou simplesmente criar uma relação de dependência e segredo.

O recente caso de uma adolescente de 13 anos encontrada em situação de cárcere em Anápolis (GO), após manter contato pela internet com um jovem de 19 anos, mostra até onde uma aproximação virtual pode chegar. É um caso grave, mas deve ser encarado como um alerta para todas as famílias, e não apenas como uma história que aconteceu longe de nós.

O celular não é o vilão. A tecnologia pode ajudar nos estudos, na comunicação e no entretenimento. O problema está em entregar acesso sem orientação e acreditar que uma criança terá maturidade para reconhecer sozinha todas as situações de perigo.

Por isso, acompanhar não significa apenas controlar o tempo de tela. É preciso conhecer os aplicativos utilizados, saber como funcionam os jogos, conversar sobre amizades virtuais e explicar que ninguém deve pedir fotos, senhas ou informações pessoais.

Mais importante ainda é criar confiança.

Se uma criança tiver medo de contar aos pais que alguém a está ameaçando, assediando ou fazendo pedidos estranhos, o silêncio pode favorecer o criminoso.

Também não podemos colocar toda a responsabilidade sobre as famílias. As plataformas digitais precisam oferecer mecanismos eficientes de proteção, denúncia e controle, enquanto autoridades e escolas devem contribuir para a educação digital.

No fim, a pergunta não é apenas se seu filho precisa de um celular ou tablet.

A pergunta é:

seu filho está preparado para o mundo que existe dentro dele?

E você está preparado para acompanhar esse mundo junto com ele?

Celular não é babá. E a internet não é lugar para deixar nossos filhos sozinhos.

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