O ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva concedeu entrevista coletiva na manhã desta quarta-feira (10) para falar sobre a anulação de todas as condenações relacionadas com a Lava Jato, após decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin.
Veja as principais frases:
Sobre a prisão, em 2018:
“Como eu tinha clareza das inverdades tomadas contra mim eu tomei a decisão de provar a minha inocência dentro da sede da Polícia Federal, perto do juiz moro. Antes de eu ir, nós tínhamos escrito um livro e eu fui a pessoa dei a palavra final no título do livro que ‘a verdade vencerá’. Eu tinha tanta confiança e tanta consciência do que estava acontecendo no Brasil que eu tinha certeza que esse dia chegaria e ele chegou.”

“Eu sei que fui vítima da maior mentira jurídica contada em 500 anos de história. Eu sei que a minha mulher, a Marisa morreu por conta da pressão e o AVC se apressou. Eu fui proibido até de visitar meu irmão dentro de um caixão.”

Coronavírus:
“Quero prestar a minha solidariedade nesse entrevista às vítimas do coronavírus, aos familiares das vítimas do coronavírus, ao pessoal da área da saúde, de todos da saúde, privado e pública. Mas sobretudo para os heróis e heroínas do SUS que por tanto tempo foram descredenciados politicamente. Foram descredenciados no exercício de sua profissão porque só mostravam que as coisas ruins que aconteciam no SUS e quando veio o coronavírus se não fosse o SUS a gente teria perdido muito mais gente do que perdeu, apesar do governo tirar tanto dinheiro do SUS e do governo ser um verdadeiro desgoverno no trato da saúde.
“Vocês sabem que a questão da vacina não é uma questão se tem dinheiro ou se não tem dinheiro. É uma questão se eu amo a vida ou amo a morte. É uma questão de saber qual é o papel de um presidente da república no cuidado do seu povo. Porque um presidente da república ele não é eleito para falar bobagem no fake news, ele não é eleito para incentivar a compra de armas como se nós tivéssemos necessitando de armas. Quem está precisando de arma são as nossas forças armadas, quem está precisando de arma é a nossa polícia que muitas vezes sai pra rua para combater a violência com um 38 velho e todo enferrujado.”

Sobre a decisão de Fachin:
“Anteontem foi um dia gratificante. Eu sou agradecido ao ministro, sabe, Fachin. Porque ele cumpriu uma coisa que a gente reivindicava desde 2016. A decisão que ele tomou, tardiamente, cinco anos depois, ela foi colocada por nós desde 2016. A gente cansou de dizer, a inclusão do Lula e a inclusão da Petrobras na vida do Lula como criminoso era a razão pela qual a quadrilha de procuradores da Lava Jato, não o Ministério Público, a quadrilha de procuradores da força-tarefa e o Moro entendiam que a única forma de me pegar era me levar para a Lava Jato. Porque eu já tinha sido liberado em vários outros processos fora da Lava Jato, mas eles tinham como obsessão porque eles queriam criar um partido político para tentar me criminalizar.”
Mágoa:
“Se tem um brasileiro que tem razão de ter muitas e profundas mágoas sou eu, mas não tenho. Sinceramente eu não tenho porque o sofrimento que o povo brasileiro tá passando, o sofrimento que as pessoas pobres estão passando neste país é infinitamente maior do que qualquer crime que cometeram contra mim. É maior do que cada dor que eu sentia quando estava preso na Polícia Federal, porque não tem dor maior para qualquer homem ou mulher, em qualquer país do mundo do que levantar de manhã e não ter a certeza de um café com um pãozinho para tomar. […] Essa dor que a sociedade brasileira está sofrendo agora que me faz dizer pra vocês: a dor que eu sinto não é nada diante da dor que sofre milhões e milhões de pessoas. É muito menor do que a dor que sofre quase 270 mil pessoas que viram seus entes queridos morrer.”
Fonte: G1















