O Discurso do “100%” e a Realidade dos Buracos: Buritis pede passagem

Enquanto isso, nas redes sociais, a sinfonia de reclamações continua a todo volume, aguardando que alguém no poder se digne a regê-la com competência.
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Por Abraão de Sousa – Alerta Buritis | DRT-2022/RO – É permitida a reprodução parcial ou total da matéria, desde que citada a fonte. Lei nº 9610/98.

Não é preciso ir longe para entender a principal queixa que ecoa pelos corredores virtuais de Buritis. Basta acessar grupos de WhatsApp ou rolar o feed do Instagram: a sinfonia é uma só. Motoristas e transeuntes entoam um coro uníssono de insatisfação com as condições de trafegabilidade da cidade. As imagens são sempre as mesmas: ruas esburacadas, trechos intransitáveis e a sensação de abandono que se repete em vários setores do município.

As fotografias que ilustram este editorial, extraídas de páginas alimentadas por populares insatisfeitos, são a prova documental de um descaso que já se tornou crônico. Enquanto a administração municipal parece se refugiar em dados de gabinete, quem vive a realidade do asfalto (ou da falta dele) se vê refém da lama na época das chuvas e da poeira na estiagem. A reclamação, legitimamente enviada por quem sofre diariamente com os transtornos, já não é mais um alerta silencioso, mas um grito ensurdecedor por soluções.

Recentemente, o prefeito concedeu entrevista e tentou acalmar os ânimos com uma declaração que, para muitos, soou como um contrassenso à realidade: a de que “tá na meta de satisfação de 100%”. Bastaram essas poucas palavras para que a insatisfação latente transbordasse. A fala do gestor não apenas foi reprovada de imediato pelos munícipes, como serviu de gatilho para que promessas antigas fossem resgatadas. Na memória da população, ainda estão frescos os compromissos firmados em campanha, vídeos e redes sociais onde o gestor se comprometia a levar melhorias concretas para todos. Até agora, infelizmente, esse compromisso permanece restrito ao campo digital, sem encontrar eco nas vias públicas.

Há quem, num exercício de paciência, tente amenizar a responsabilidade da gestão atual, apontando o dedo para administrações passadas, alegando que “sempre foi assim”. Se a atual administração resolver se apegar a esse argumento, estará cavando a própria vala da ineficiência. A população não elegeu um gestor para que ele comparasse o seu trabalho com o de antecessores, mas para que superasse as deficiências históricas. Justificar a falta de ação com os erros do passado é assumir que o futuro será tão medíocre quanto o ontem. É um caminho certeiro para perpetuar a insatisfação de quem apenas pede o básico: o direito de ir e vir com dignidade.

Neste editorial, optamos por nos ater à realidade da zona urbana, que já concentra um volume alarmante de demandas. A situação crítica da zona rural, que também clama por atenção e merece o mesmo rigor investigativo, ficará para um próximo capítulo desta discussão.

Buritis não pode ser refém de buracos. A cidade precisa de gestores que estejam à altura dos desafios, que troque o discurso defensivo por ações ofensivas de infraestrutura. Enquanto isso, nas redes sociais, a sinfonia de reclamações continua a todo volume, aguardando que alguém no poder se digne a regê-la com maestria.

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