Juízes estão saindo da magistratura para serem felizes em outros lugares, diz presidente do TJRO

Declaração do presidente do Tribunal de Justiça de Rondônia (TJRO), Marcos Alaor Diniz Granjeia, ocorreu durante sessão administrativa sobre pedido de aposentadoria voluntária do juiz Franklin Vieira dos Santos.
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Fonte: Jornal rondonia vip 

 

 

Recentemente, o juiz Franklin Vieira dos Santos, que teve bastante destaque pelo trabalho realizado no Tribunal de Justiça de Rondônia (TJRO), pediu aposentadoria voluntária. E a análise foi feita pelo pleno administrativo da Corte rondoniense, ocorrida no último dia 11 de setembro e composta por vários desembargadores, entre eles, o presidente do TJRO, Marcos Alaor Diniz Granjeia, que lamentou a saída de Franklin e outros magistrados de forma precoce. “Doutor Franklin um ótimo magistrado, aluno nosso na universidade. Galgou todos os postos que almejou galgar. Mais que uma atitude inteligente, o fruto da aposentadoria do doutor é sinal dos tempos. Muitos magistrados valorosos estão preferindo sair do Poder Judiciário e da Magistratura para serem felizes em outros lugares”, observou o presidente do TJRO. Ele ainda completou sua lamentação: “Disse isso na última reunião do Consepre, ao futuro presidente do STF e do CNJ, ministro Barroso. Desde 1988, o Supremo Tribunal Federal está em déficit com a Lei Orgânica da Magistratura, permitindo uma ausência de visagem de carreira e a prova de que estamos passando por dificuldades de atrair novos valores e manter os que temos. O último concurso e agora a aposentadoria do doutor Franklin. Um excelente magistrado que nos deixa e isso nos faz muita falta”. Leia também: Juízes reclamam de excesso de trabalho e do salário, mínimo é de R$ 33 mil Outros desembargadores, como Alexandre Miguel, também observaram que virou rotina juízes deixarem o Poder Judiciário. “Estou sentindo, como todos os outros, é mais um que se vai cedo, que poderia continuar entre nós, mas é uma opção de vida”, comentou ele. O desembargador José Jorge seguiu na mesma linha de pensamentos: “Há dois sentimentos: de bonança, por ele poder gozar da aposentadoria, mas o sentimento de perda. Ele poderia continuar a contribuir com nosso Poder Judiciário”. Currículo Em sessão administrativa realizada no último dia 12 de setembro, em Porto Velho, o Tribunal de Justiça do Estado de Rondônia aprovou o pedido de aposentação feito pelo juiz de Direito Franklin Vieira dos Santos, após 39 anos de serviços prestados ao Estado de Rondônia. O pedido foi aprovado à unanimidade, com diversas manifestações de apreço e reconhecimento à dedicação, competência e trajetórias brilhantes ostentadas pelo magistrado aposentado. Vieira dos Santos é natural de Rondônia e foi soldado da Base Aérea de Porto Velho. Ele ingressou no cargo de agente administrativo do Estado em 1985, passando em concurso, três anos depois, para agente de polícia civil; cargo que exerceu até 1995, quando mais uma vez foi aprovado, desta vez para técnico judiciário do TJRO. Formado em Educação Física (1992) e em Direito (1998), ambos os cursos na Universidade Federal de Rondônia, no ano de 2001, Franklin Vieira conquistou o primeiro lugar no XIV Concurso para a Magistratura de Rondônia; promovido para a comarca de Machadinho, em 2003, no ano seguinte ele teve promoção para segunda entrância, atuando na 3ª vara cível da comarca de Ariquemes. Já em 7 de junho de 2011 assumiu, após promoção, a 3ª vara criminal de Porto Velho. Mestre em Poder Judiciário (Fundação Getúlio Vargas) e Doutor em Direito pela Universidade do Vale do Itajaí, o magistrado é professor da pós-graduação da Escola da Magistratura e dos cursos de Direito na Faculdades São Lucas e Fimca, na capital. Leia mais: Os juízes de direito que estão se demitindo para virar influenciadores, ter liberdade e faturar mais Como destacou o relator do pedido, desembargador Jorge dos Santos Leal, são mais 39 anos no Serviço Público, dos quais, mais de 25 anos dedicados ao Poder Judiciário, primeiro como servidor e depois como Juiz de Direito. “Dedicou sua vida ao Serviço Público”, disse ele. Diversos desembargadores se manifestaram com palavras de reconhecimento à carreira irreparável do magistrado, o qual foi identificado como uma pessoa simples e acessível, que preservou a humildade de sua origem, com uma carreira símbolo de sucesso, como magistrado e professor. Nas falas de todos, além do desejo de que novos projetos sejam exitosos, a deferência pública feita pelos colegas demonstrou que a carreira construída pelo juiz aposentando foi plena de êxito e realizações, os quais lhe renderam a conquista de respeito e admiração pelos pares, servidores(as) e alunos(as).

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