Bolsonaro “pode ficar chateado”, mas passa a faixa se perder, diz Mourão…

O vice-presidente disse que não há risco de rupturas nem de impeachment
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O vice-presidente da República, Hamilton Mourão (PRTB), disse, em entrevista ao Poder360, que não há risco de ruptura institucional patrocinada pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Tampouco de impeachment. As razões são distintas. Mas dialogam.

Sobre a ruptura, citada como possibilidade por opositores do governo, Mourão diz que não há desejo do presidente nem ambiente político, tanto no plano local como internacional. E que se o ex-presidente Lula (PT) ganhar as eleições de 2022 para a Presidência, assume “tranquilamente”.

[Bolsonaro] pode até ficar meio chateado, mas vai passar a faixa tranquilamente, sem problema nenhum”, diz.

Já o impeachment, Mourão diz que não há interesse da esquerda, que estaria de olho em concorrer com Bolsonaro em 2022. Ele usa como evidência da sua avaliação o fato de o PT não ter aderido aos atos contra Bolsonaro do dia 12 de setembro.

“Ficou claro que a esquerda não quer o impeachment. A esquerda vive colada no presidente Bolsonaro. Se ela perde a referência do oposto, perde seu rumo. E se a esquerda não participa, não há clima de rua”, diz.

Além disso, ele afirma que o Centrão, que compõe a maior parte da base de apoio ao governo, não permitiria que o processo avançasse. “Dentro do Congresso, que é onde se joga esse jogo político, acredito que o governo tem uma base de parlamentares que impede o impeachment de prosperar”, afirmou.

Hamilton Mourão tem 68 anos e nasceu em Porto Alegre (RS). É general da reserva do Exército, onde ingressou em 1972. Depois de se aposentar, em 2018, tornou-se presidente do tradicional Clube Militar e filiou-se ao PRTB. Foi escolhido vice por Bolsonaro nas últimas eleições presidenciais.

Para as eleições de 2022, já avalia duas mudanças: de partido e de cargo.

Ele diz que tem sido procurado por siglas para 2022. Ainda não decidiu por qual Estado vai concorrer (RS ou RJ) nem a que cargo (governador ou senador). Diz que conta com o apoio do presidente, apesar de nunca ter falado “objetivamente” sobre o assunto com ele. Diz ainda que a relação dos 2 passa por um bom momento. “O presidente tem me convidado para diversas reuniões, tá?”

Leia trechos da entrevista concedida no gabinete do vice-presidente na 4ª feira (15.set.2021).

Poder360: Quais os seus planos políticos para 2022?
Hamilton Mourão: Minha visão agora é que fui eleito para ser vice-presidente e não tinha nenhuma pretensão de concorrer a outro cargo. Os indícios hoje são que o presidente Bolsonaro, na sua busca para ser reeleito, irá buscar outra pessoa para acompanhá-lo na chapa. Até por necessidade de musculatura em termos de organização política. Eu ainda não decidi se vou continuar na política ou pendurar a chuteira. Tenho até o final de março.

Nos atos no Rio, faixas pediram a sua candidatura ao governo.
Tem gente no Rio que quer que eu me candidate a governador ou a senador. E tem o Rio Grande do Sul também, mas por enquanto não tomei decisão.

Já conversou com o presidente? Ele apoiaria o senhor?
Conversar de forma objetiva, não. Houve em termos gerais. Mas eu julgo que caso eu seja candidato a algum outro cargo, o presidente irá me apoiar.

O senhor e o presidente tiveram altos e baixos. Como está a relação agora?
“Está tudo tranquilo. O presidente tem me convidado para diversas reuniões, tá? Ao longo do governo, sempre me deu liberdade nas áreas afetas a mim, que são as relações com a China e com a Rússia. Ele já me escalou para representá-lo em missões no exterior, como na posse do presidente [Alberto] Fernandez na Argentina, do presidente [Pedro] Castilho no Peru, me mandou a Angola para a reunião da CPLP [Comunidade dos Países de Língua Portuguesa]. O presidente tem dado um bom espaço para mim.

 

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